quinta-feira, setembro 20, 2007

Olá, Pessoa de Deus! As pessoas especiais são aquelas que têm a habilidade de dividir suas vidas com os outros. Elas são honestas nas atitudes, são sinceras e compassivas, e sempre dão por certo que o amor é parte de tudo. As pessoas especiais são aquelas que têm a habilidade de se doar aos outros, e de ajudá-los com as mudanças que surgem em seus caminhos. Elas não têm medo de serem vulneráveis; elas acreditam que são únicas e têm orgulho em ser quem são. As pessoas especiais são aquelas que se permitem o prazer de estar próximo aos outros e importar-se com a felicidade deles. Elas vieram para entender que o amor é o que faz a diferença na vida. As pessoas especiais são aquelas que realmente tornam a vida bela... (DA)

terça-feira, setembro 11, 2007

para crianças

O ANIVERSÁRIO DA SARDINHA Maria Hilda de J. Alão. Estava chegando o dia do aniversário da Sardinha. No fundo do mar os peixes, pequenos e grandes, estavam preocupados com a festa que pretendiam dar para a amiga querida. O Robalo consultou o mestre Peixe-Espada que, por sua vez, consultou a Corvina e finalmente chegaram a um consenso. A festa aconteceria na casa da Dona Baleia porque havia um enorme salão de águas claras. E começou a correria para preparar os comes e bebes, escolher vestimentas de lustrosas escamas, maquilagem marinha e tudo mais que uma festa requer. Na hora estipulada, foram chegando os convidados. A aniversariante, feliz, sorria para todos e agradecia os presentes que recebia. A festa transcorria na maior harmonia até que, de repente, chegou o Tubarão que não fora convidado para a festa. A peixarada ficou em polvorosa. Foi um corre daqui, esconde ali, e o Tubarão sem entender nada. Neste momento a Sardinha, cheia de coragem, aproximou-se do Tubarão e disse: - Senhor Tubarão, sabe que não foi convidado para esta festa por causa da sua fama de mau. Sei que veio aqui para comer muito, porque os peixes indefesos estão todos juntos. Antes que faça isso, gostaria de convidá-lo a cantar “Parabéns à Sardinha” com sua bela voz de barítono, e dançar comigo a primeira valsa. Aceita? Antes que o Tubarão respondesse, a orquestra de camarões começou a afinar os instrumentos. - Aceita? – perguntou novamente a Sardinha. Diante da simpatia e sinceridade da Sardinha, o Tubarão, vermelho de vergonha, exclamou: - Aceito, dona Sardinha! A essa altura os peixes estavam voltando para a festa, desconfiados, claro. Mas quando viram o Tubarão cantando com seu vozeirão “Parabéns pra Sardinha...”, fizeram um coral marinho cujas vozes chegaram à tona d’água, despertando a curiosidade dos pássaros marinhos, que perguntavam uns aos outros: - Será que tem festa no fundo do mar...!? MORAL: Uma boa conversa e um bom entendimento evitam uma boa briga. (histórias que contava para o meu neto)

sexta-feira, setembro 07, 2007

A inocência perdida das canções de ninar Recebi de Manuel Raimundo de Souza Jr., o Nezito, uma crônica interessante veiculada pela rádio CBN. Outro e-mail atribui a autoria do texto à poetisa de Araçatuba Vilmara Belo. Título: A inocência perdida das canções de ninar (Texto publicado no Boletim da rádio CBN, em 2 de outubro de 2003) Eu, uma brasileira morando nos Estados Unidos da América, para ajudar no orçamento estou fazendo "bico" de babá e estudo. Ao cuidar de uma das meninas, cantei "Boi da cara preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao colocá-la para dormir. Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção que cantávamos (em Inglês) dizia algo como: Boa noite, linda menina, durma bem./ Sonhos doces venham para você,/ Sonhos doces por toda noite"... (Que lindo!) Eis que um dia Mary Helen me pergunta o que as palavras em português da música "Boi da cara preta" queriam dizer em inglês: "Boi, boi, boi, boi da cara preta,/ pega essa menina que tem medo de careta..."/ Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "Boi da cara preta" era uma ameaça, era algo como "dorme logo, senão o boi vem te comer"? Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina? Claro que menti para ela, mas comecei a pensar em outras canções infantis, pois não me sentiria bem ameaçando aquela menina com um temível boi toda noite... Que tal... "nana neném que a cuca vai pegar..." Caramba... outra ameaça! Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto! Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro que fosse positiva e de uma longa reflexão, eu descobri toda a origem dos problemas do Brasil. O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa. Por que isso acontece? Trauma de infância! Trauma causado pelas canções da infância. Vou explicar: nós somos ameaçados, amedrontados, en-caramos tragédias desde o berço! Por isso levamos tanta porrada da vida e ficamos quietos. Exemplificarei minha tese: Atirei o pau no gato-tô-tô/ Mas o gato-tô-tô não morreu-reu-reu / Dona Chica-ca-ca admirou-se-se/ Do berrô, do berrô que o gato deu/ Miaaau! Esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e crueldade. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de "D. Chica". Uma vergonha! Eu sou pobre, pobre, pobre,/ De marré, marré, marré. Eu sou pobre, pobre, pobre,/ De marré de si./ Eu sou rica, rica, rica,/ De marré, marré, marré./ Eu sou rica, rica, rica, De marré de si. Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces!! É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da infância com um carrinho de controle remoto, e você brincando com seu carrinho de plástico? Vem cá, Bitu! vem cá, Bitu!/ Vem cá, meu bem, vem cá! Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá!/ Tenho medo de apanhar./ Quem é o adulto sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre. Bitu... Marcha soldado,/ cabeça de papel!/ Quem não marchar direito,/ Vai preso pro quartel. De novo: ameaça. Ou obedece ou se dana. Não é à toa que brasileiro admite tudo de cabeça baixa... A canoa virou,/ Quem deixou ela virar,/ Foi por causa da fulana/ Que não soube remar. Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e condenar um semelhante. Bate nele, mãe! Samba-lelê tá doente,/ Tá com a cabeça quebrada./ Samba-lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada, necessita de cuidados médicos, mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-lelê deve ser irmão do Bitu... O anel que tu me deste/ Era vidro e se quebrou./ O amor que tu me tinhas/ Era pouco e se acabou... Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio? O cravo brigou com a rosa/ Debaixo de uma sacada;/ O cravo saiu ferido/ E a rosa despedaçada./ O cravo ficou doente,/ A rosa foi visitar;/ O cravo teve um desmaio, A rosa pôs-se a chorar. Desgraça, desgraça, desgraça! E ainda incita a violência conjugal (releie a primeira estrofe). Precisamos lutar contra essas lembranças, meus amigos! Nossos filhos merecem um futuro melhor! Comentários de Hélio Consolaro Internautas não valorizam a autoria dos textos, por isso não se sabe quem é o verdadeiro autor dele. A crônica acima mostra a linguagem politicamente incorreta das canções de ninar do Brasil e como suas letras formam a baixa auto-estima das crianças. A autora (ou autor) do texto, que trabalha como babá em Londres, ficou com vergonha de traduzir as letras para a criança de quem cuidara, pois as canções de ninar inglesas são suaves e falam de coisas bonitas, enquanto as nossas ameaçam a criança que não quer dormir com boi da cara preta, cuca e caretas. Na verdade, a autora (ou autor) confundiu a classificação de algumas canções, classificando-as como de ninar. "Atirei o pau no gato", por exemplo, é cantiga de roda. Outro erro da autora, mais grave, foi ignorar a cultura brasileira e que as histórias das canções de ninar brasileiras eram cantadas por escravas (mucamas) aos filhos da sinhá. A bem da verdade, ela não amava aquela criança. O seu trabalho era forçado, feito sem amor. E se escravos eram espancados, perseguidos, numa sociedade repressora ao extremo, as canções de ninar não podiam ser muito diferentes. Cada pessoa doa o que recebe. Se as canções de ninar eram cantadas aos filhos dos senhores, não causaram efeitos maléficos, pois não considero que a elite econômica do Brasil tenha baixa auto-estima. Aliás, ela tem mesmo é o nariz bem empinado. Essa discussão é semelhante àquela da influência dos filmes de violência exibidos pela tevê, se deixa ou não a criança violenta. Na verdade, quem deixa a criança violenta é a própria sociedade que o circunda, da qual ela é testemunha. Apesar de a análise apresentada pelo texto ser bem feita, com inteligência, seu autor sofisma quando não considera os aspectos históricos, ignorando os componentes da nossa cultura e da alma dos brasileiros.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Veja 25 frases que uma mulher nunca ouvirá de um homem. Aqui seguem algumas frases que demonstram um pouco a "guerra" entre homens e mulheres. Apesar de serem palavras que a maioria das mulheres gostaria de escutar, provavelmente nunca serão pronunciadas de um homem para uma mulher.1. Já que eu estou em pé, quer alguma coisa?Com o passar do tempo, as pessoas costumam acreditar que já conquistaram umas as outras e que gentilezas como abrir a porta do carro, levar café da manhã na cama ou pegar uma bebida ficam em segundo plano. 2. Você parece triste. Quer conversar?Quando uma mulher está abatida o parceiro até pode perceber essa mudança, mas geralmente nesses casos quem costuma assumir o papel de ouvir as lamentações femininas é a melhor amiga e não o namorado ou marido. 3. Por que a gente não vai no shopping e você escolhe alguns sapatos novos?Qual é o homem que agüenta a indecisão de uma mulher ao andar por horas e horas em um shopping em busca de sapatos, roupas e até mesmo acessórios novos? 4. Acho que precisamos discutir nossa relaçãoAs mulheres é que costumam chamar seus parceiros para a famosa DR (discussão de relação). Os homens não são muito de falar. Para eles, as atitudes valem mais do que as palavras. 5. Sexo não é importante. Vamos ficar apenas conversandoOs homens adoram de sexo. Eles dificilmente trocariam a oportunidade de ter um momento a dois com alguém por uma simples conversa. 6. Antonio Banderas e Brad Pitt? A gente precisa ver esse filme!Dificilmente um homem gostaria de assistir a um filme pelo simples fato de ter dois atores famosos e consagrados como Banderas e Brad Pitt. Os homens estão muito mais interessados em filmes que tenham lutas, ação e um enredo diferente. 7. Quer ajuda para escolher os sapatos?Um homem querendo dar palpite no sapato ou roupa da mulher por outro motivo que não seja o ciúme do tamanho curto da sua saia? Bem difícil de acontecer. 8. Você está com dor de cabeça? Deixa que eu pego um remédio para você e faço uma massagem para relaxarA idéia de pegar um remédio nem é tão absurda assim, agora com uma massagem a tiracolo, só mesmo o homem dos sonhos. 9. Eu não sei o caminho. Vamos parar e perguntar O homem prefere rodar uma hora a mais do que o necessário a ter de parar e perguntar para alguém onde fica um certo lugar, talvez com medo de que isso afete o senso de direção que eles querem demonstrar para as mulheres. Podem perguntar sem problemas, as mulheres continuarão amando vocês mesmo assim. 10. Eu seguro sua bolsa enquanto você experimenta outra roupaUm homem incentivando uma mulher a gastar mais? Só pode ser fruto da imaginação feminina. Agora, é preciso reconhecer que o cavalheirismo ainda não saiu de moda e é possível ver com certa freqüência homens carregando objetos para as mulheres, para poupá-las de fazerem esforços. 11. Esse vestido ficou bom, mas por que você não experimenta mais alguns?Será que existe algum homem que não reclama de uma mulher que demora duas horas para se arrumar? E, além disso, ainda incentive que ela demore mais ainda escolhendo outra roupa? 12. Aquela mulher tem os seios muito grandesRaridade nº 1: os homens não acham ruim mulheres com seios grandes. Raridade nº 2: se ele percebeu que o seio da mulher é grande, no mínimo ele falaria que ela é uma "gostosa" e não reclamaria para você. 13. Você cortou o cabelo?Não tem nada que dê mais raiva do que gastar rios de dinheiro no salão de beleza e o seu parceiro nem mesmo perceber que você deu uma mudada no visual. Perceber que uma mulher cortou o cabelo é coisa rara entre os homens, a não ser em casos extremos em que o cabelo antigo era na cintura e ela de repente resolveu cortar curtinho. 14. Esta noite quero te dar tudo o que você merece. Vamos ao restaurante mais caro da cidadeQuando um homem fala que vai dar à mulher tudo o que ela merece a primeira coisa que vem à mente é algo com relação ao sexo e não um jantar no restaurante mais caro da cidade. 15. Deixa que eu lavo a louça. Hoje é domingo e você merece descansarO seu amado pode realmente perceber que você está cansada e merece descansar, mas certamente ele não iria querer lavar a louça para você em pleno domingo, que é dia de assistir ao jogo de futebol do time dele. 16. Querida, telefone para você. É o seu melhor amigoÉ normal que os homens sintam ciúme do melhor amigo de uma mulher. Então, por mais que ele goste do seu melhor amigo não vai ficar 100% feliz quando ele ligar para você. 17. Eu acho a Sabrina Sato tão artificialPara os homens tanto faz se o seio de uma mulher é silicone ou não, se ela fez plástica no nariz. Para eles, o que importa é o conjunto ter um resultado final bonito. Por isso não se preocupe em dar uma ajuda à genética se você estiver insatisfeita com você mesma. 18. Prefiro ficar com você. Só vou ao bar se você forPreferir ficar com você a ir para o bar não é nada impossível para um homem. Mas, que eles adoram a oportunidade de ficarem sozinhos com os amigos para falarem de futebol, mulheres e dos novos softwares, isso é preciso admitir. 19. Você vai marcar horário para fazer as unhas? Veja se tem um para mim também, por favorSeu parceiro pode não se importar (e inclusive gostar) que você fique horas no salão para ficar linda e maravilhosa para ele. Entretanto, querer que ele te acompanhe nesta maratona de beleza é exigir demais do seu amado. 20. Já coloquei a roupa suja na máquinaOs homens podem estar dispostos a ajudar suas parceiras, porém, lavar roupa não é uma das atividades preferidas deles. 21. O seu sapato não está combinando com a sua bolsaA não ser que você faça combinações muito ousadas como uma bolsa vermelha e um sapato azul com bolinhas amarelas, dificilmente o seu querido fará comentários sobre essa parte da sua produção. 22. Não compre na primeira loja, vamos andar mais um pouco para você escolher melhorA paciência na hora das compras de uma mulher não é um dos atributos mais fortes de um homem. 23. Acho que a empregada deixou poeira em cima da geladeiraImagine a cena: o seu marido chegando do trabalho e a primeira coisa que ele se prontifica a fazer é ir até a cozinha, passar o dedo em cima da geladeira e verificar que a empregada não limpou da maneira correta. Será que isso combina com o seu dia-a-dia? 24. Vou reclamar com o vizinho dessa história de a mulher dele ficar só de calcinha na janelaAdmitir que ele já viu a vizinha de calcinha na janela pode causar confusão com você e com o marido dela. Por isso, nessas situações ele vai preferir ficar na dele e não se meter na situação. 25. Amor, por que você não está enroscando os seus pés nos meus hoje?Para ele seria uma maravilha que você esquecesse desse hábito e o deixasse dormir sem que ele acordasse de repente com um susto no meio da noite.

terça-feira, setembro 04, 2007

À PROCURA DA FELICIDADE

À Procura da Felicidade Um homem não conseguia encontrar a felicidade em lugar nenhum. Um dia ele resolveu sair pelo mundo à procura da felicidade. Fechou a porta da sua casa e partiu com a disposição de percorrer todos os caminhos da terra até encontrar o lugar de ser feliz. Aonde chegava reunia um grupo a quem explicava os planos que tinha para ser feliz. Afirmava que seus seguidores seriam felizes na posse de regiões gigantescas, onde haveria montes de ouro. Mas o povo lamentava e ninguém o seguia. No dia seguinte novamente partia. Assim, foi percorrendo cidades e cidades, de país em país, anos a fio. Mas um dia percebeu que estava ficando velho sem ter encontrado a felicidade. Seus cabelos tingiam-se de branco, suas mãos estavam enrugadas, suas roupas esfarrapadas, os calçados aos pedaços. Além disso, estava cansado de procurar a felicidade, tão inutilmente. Enfim, depois de muito andar, parou em frente de uma casa antiga. As janelas de vidro estavam quebradas, o mato cobria o canteiro do jardim, a poeira invadia quartos e salas. Ele olhou e pensou que ali, naquela casa desprezada e sem dono, ele construiria a sua felicidade: arrumaria o telhado, colocaria vidro nas janelas, pintaria as paredes, cuidaria do jardim. "Vou ser feliz aqui" disse ele. E o homem cansado foi andando até chegar a porta. Quando entrou, ficou imóvel, perplexo! Aquela era a sua própria casa, que ele abandonou há tantos anos à procura da felicidade. Então ele compreendeu que de nada tinha adiantado dar a volta ao mundo, pois a felicidade estava dentro da própria casa e ele não tinha percebido. Autoria Desconhecida

quinta-feira, agosto 30, 2007

AUTO-EXAME

SAÚDE DA MULHER -------------------------------------------------------------------------------- AUTO-EXAME DAS MAMAS Depois dos 20 anos de idade, toda mulher deve fazer mensalmente o auto-exame das mamas. Trata-se de um procedimento simples, realizado após os períodos menstruais, e que pode ajudar no diagnóstico precoce das patologias dessas glândulas. As etapas para o auto-exame são: 1. Diante do espelho, procure observar alguma alteração na pele ou no contorno das mamas, como retrações e abaulamentos. 2. Levante os braços, colocando-os atrás da cabeça, e perceba se, com esse movimento, surge alguma área de repuxamento na pele ou no mamilo. 3. Ainda em frente ao espelho, pressione as mãos de encontro aos quadris, contraindo os músculos do peito. 4. Durante o banho, palpe as mamas com as pontas dos dedos, e note se há alguma alteração do tecido glandular, como nódulos ou caroços, por exemplo. 5. Examine ambas as mamas, fazendo movi-mentos circulares desde a parte mais externa até o mamilo. 6. Pressione, delicadamente, a aréola e o mamilo e observe se há, ou não, saída de alguma secreção anormal (sanguinolenta). 7. Deitada, com um dos braços sob a nuca, repita a palpação das mamas usando a ponta dos dedos. Um grande número de alterações das glândulas mamárias pode ser observado pela própria paciente, desde que ela dedique alguns minutos por mês para fazer o seu auto-exame. Mudanças na textura da pele (retrações, abaulamentos, “eczema nos mamilos”), perda de secreções anormais e a constatação de nódulos (caroços) são ocorrências que requerem atenção médica para serem esclarecidas quanto à sua causa. É importante saber que 95% dos nódulos mamários são benignos. Nunca será demasiado lembrar que, quanto mais precoce for o diagnóstico do câncer de mama, maiores serão as chances de cura. Portanto, além de fazer o auto-exame mensalmente, a mulher deve procurar o seu médico para fazer um exame clínico (uma vez a cada três anos, entre os 29 e 39, e anualmente após os 40) mesmo que aparentemente tudo esteja bem. A mamografia – uma radiografia especial dos tecidos internos das mamas – é capaz de mostrar áreas suspeitas de malignidade antes mesmo que elas possam ser palpadas, o que confere a este exame ser o principal procedimento no diagnóstico precoce do câncer. Ela deve ser realizada anualmente, com esse propósito, a partir dos 50 anos de idade, ou até mesmo antes, quando os critérios clínicos (antecedentes pessoais e familiares) assim o determinarem. Dr. Carlos Antônio da Costa Ginecologista e Obstetra

quarta-feira, agosto 29, 2007

O MELHOR AMIGO

Para o Melhor Amigo, o Melhor Pedaço[br] Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de malhado. Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou outro alimento qualquer. Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa.Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. O mendigo era conhecido como um homem bom que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não tomava bebida alcoólica e estava sempre tranqüilo, mesmo quando não recebia nada de comida. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que precisava alguém lhe estendia uma porção de alimentos. Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente, comia e ficava esperando por mais um pouco. Não tinham onde passar as noites; onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão. Ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte. Aquela figura era intrigante, pois levava uma vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor. Certo dia, um homem, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas, foi bater um papo com o velho mendigo. Iniciou a conversa falando do malhado, perguntou pela idade dele, mas Serapião não sabia. Dizia não ter idéia, pois se encontraram num certo dia, quando ambos perambulavam pelas ruas. Nossa amizade começou com um pedaço de pão - disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso. Como vocês se ajudam? Perguntou. Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode. Continuando a conversa, o homem lhe fez uma nova pergunta: Serapião, você tem algum desejo de vida? Sim, respondeu ele tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que tem na lanchonete da esquina. Só isso? Indagou. É, no momento é só isso que eu desejo. Pois bem, disse-lhe o homem, vou satisfazer agora esse grande desejo. Saiu e comprou um cachorro quente e o entregou ao velho. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o malhado, e comeu o pão com os temperos. O homem não entendeu aquele gesto, pois imaginava que a salsicha era o melhor pedaço. Por que você deu para o malhado, logo a salsicha? Interrogou, intrigado. Ele, com a boca cheia, respondeu: "para o melhor amigo, o melhor pedaço." E continuou comendo, alegre e satisfeito. O homem se despediu de Serapião, passou a mão na cabeça do cão e saiu pensando com seus botões: aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele mendigo. E você, que parte tem reservado para os seus amigos?

segunda-feira, agosto 27, 2007

REALISMO PURO

Olá, É Óbvio.. hehehehehe R_MORTIMER Mais uma do Joãozinho...Não sei se é para chorar ou para rir...Durante uma aula de português, a professora pergunta: - Qual é o significado da palavra 'óbvio' ? Rapidamente, Carine, rica, uma das mais aplicadas alunas da classe, que estava sempre muito bem vestida, perfumada e bonita, respondeu:- Prezada professora, hoje acordei bem cedo, ao raiar do dia, depois de uma ótima noite de sono no conforto de meu quarto. Desci a escadaria de nossaresidência e me dirigi à copa onde era servido o café. Depois de deliciar-me com as mais apetitosas iguarias, fui até a janela que dá para o jardim de entrada e admirei aquela bela paisagem por alguns minutos, enquanto pensava como é agradável e belo o viver. Virando-me um pouco, percebi que se encontrava guardado na garagem o BMW pertencente a meu pai. Pensei com meus botões:- É ÓBVIO que meu pai foi ao trabalho de Mercedes'.Sem querer ficar para trás, Luiz Cláudio, de uma família de classe média, acrescentou: - Professora, hoje eu não dormi muito bem, porque meu colchão é meio duro. Mas eu consegui acordar assim mesmo, porque pus o despertador do lado da cama para tocar cedo. Levantei meio zonzo, comi um pão meio muxibento e tomei café. Quando saí para a escola, vi que o fusca do papai estava na garagem. Imaginei: - É ÓBVIO que o papai foi trabalhar de busão'.Embalado na conversa, Joãozinho, de classe baixa, também quis responder:- Fessora, hoje eu quase num durmí, purquê teve tiroteio até tarde na favela. Só acordei di manhã purquê tava morreno difome, mas num tinha nada pra cumê mesmo... Quando oiei pela janela du barracão, vi a minha vó cum jornal dibaxo du braço e pensei: - É ÓBVIO qui ela vai cagá. Num sabe lê!'.

A GRANDE LIÇÃO

OS PÉS DE DINHEIRO Maria Hilda de J. Alão. Certa vez um homem ganhou, de um aparente abastado, trinta moedas de ouro. Como era muito pobre, um tanto tolo e nunca vira tanta moeda junta, ele saiu pela cidade mostrando aos moradores o seu pequeno tesouro. Dizia: - Eu sou rico, muito rico. Vejam quantas moedas de ouro! O assunto ficou conhecido e comentado pelas pessoas daquele lugar. Uns falavam com inveja, outros com pena do homem porque ele corria o risco de ser roubado. Um dia apareceu um cavaleiro bem vestido, montado num cavalo branco. Ele apeou da montaria, pediu um pouco de água para si e o animal. Foi atendido com gentileza. Uns minutos de conversa e o cavaleiro lançou a pergunta: - Por acaso o senhor conhece o homem rico que ganhou trinta moedas de ouro? - Ora, o senhor está diante dele. E que mal lhe pergunte: o senhor quem é e vem de onde? – respondeu questionando o homem. - Eu sou emissário de um deus que o senhor não conhece. Viajo por muitas terras para anunciar a grande novidade: a floresta de dinheiro. – disse o cavaleiro. - Floresta de dinheiro? Nunca ouvi falar disso. Acho que é coisa impossível. E como nasce uma floresta de dinheiro? - Fácil. Cada homem planta uma moeda de ouro, num espaço de mais ou menos um metro de distância uma das outras, e todos os dias ele rega as covas até que brotem os pés de dinheiro. – ensinou o cavaleiro. - Isso é muito bom. Eu vou plantar as minhas trinta moedas de ouro. Serão trinta pés carregadinhos de dinheiro. – arrematou o homem. E assim ele fez. Plantou e marcou cada buraco onde enterrara uma moeda. Quando a noite chegou, o cavaleiro veio de mansinho, desenterrou as moedas pondo no lugar delas umas sementes branquinhas e partiu a todo galope. O dono das moedas, conforme a recomendação do cavaleiro, regava as covas onde elas estavam imaginando que se as árvores dessem duas floradas no ano quantos milhões ele colheria dos seus trinta pés de dinheiro. Um belo dia, pela manhã, ele foi olhar a plantação de dinheiro. Qual não foi a sua surpresa ao ver que trinta brotinhos já estavam saindo da terra. Esmerou-se no cultivo. As plantas cresceram fortes, floriram, deram frutos verdes que depois ficaram amarelos. Que frutos seriam aqueles? O homem experimentou. Eram feitos de gomos sumarentos e doces. O sabor era extraordinário. Dinheiro que era bom, nada. O homem pensou que talvez o dinheiro viesse depois que os frutos caíssem. E para apressar tal queda ele passou a colhê-los e a vendê-los na feira da cidade. Aos frutos ele deu o nome de laranja. Foi um sucesso. Vendeu tudo. Ao chegar em casa ele contou o dinheiro que ganhou com o seu trabalho. Tinha muito mais do que trinta moedas. Ficou feliz. Continuou cultivando os trinta pés de dinheiro. Descobriu que os carocinhos daquela fruta geravam novas árvores e ele plantou mais pés de dinheiro e assim, no prazo de um ano, ele se tornou dono do maior laranjal daquela cidade. O seu casebre agora era uma casa bem construída, seus filhos já não passavam necessidade e o ajudavam no trabalho de cultivar os pés de dinheiro. Foi num dia de sol escaldante que apareceu, vindo do nada, o cavaleiro montado no seu inconfundível cavalo branco. O homem, trabalhando a terra, o avistou e o saudou com alegria. - Vejo que seguiu o meu conselho. O senhor tem milhares de pés de dinheiro. Estou feliz por isso. – disse o cavaleiro. - Pode me dizer seu nome e o do deus de quem você é emissário, nobre cavaleiro? – perguntou o homem, agora bem falante. - Eu sou Saturno, da mitologia romana. Sou o deus da agricultura e emissário de Júpiter, o deus de todos os deuses. - Por que me escolheu? – perguntou o homem. - Para mostrar que o ouro plantado, cultivado e colhido com as próprias mãos vale mais que trinta moedas conseguidas sem esforço. Sua vida estava dominada por Pênia, a deusa da pobreza. Agora ela é comandada por Poros, o deus da riqueza e Mercúrio, o deus do comércio. E tirou do seu alforje as trinta moedas de ouro. Comprimindo-as com as duas mãos o deus as transformou em pó dourado espalhando sobre a terra para que ela seja sempre fértil e nunca negue um pé de dinheiro à humanidade. 29/10/06.

domingo, agosto 26, 2007

COMO ESTA SEMANA COMEMORO O MEU ANIVERSÁRIO, QUEM SABE PAPAI NOEL ME DÊ ESTE PRESENTE. JÁ QUE FOI PROMETIDO, JURADO E SACRAMENTADO AO PÉ DE CRISTO , QUE DESTE ANO NÃO PASSARIA.ESTOU AGUARDANDO ,POIS SEI QUE QUEM FEZ A PEOMESSA É FIEL. MUDANDO DE ASSUNTO, CHEGA DE TANTA HIPOCRISIA!!!!! ESTOU EXAUSTA DE TANTA ESPOSA MARCIA.ATÉ QUANDO EU TEREI QUE LUTAR SOZINHA CONTRA ESSE MALDITO SISTEMA?CHEGA DE TANTA COVARDIA COMIGO. MEU DEUS , ESTOU MUITO CANSADA!

quinta-feira, agosto 23, 2007

bom final de semana

As duas orelhas do Presidente Ninguém gostar de receber vaias, muito menos um presidente que tem quase 50% de aprovação conforme demonstrado nesta última pesquisa divulgada. Quem sabe por isto ele tenha se irritado e proferido comentários impróprios e perigosos. Depois de apupado novamente (mesmo sem ter comparecido) durante a cerimônia de encerramento do PAN, e logo depois num evento de lançamento do PAC (são tantas siglas, que muitas vezes me confundo), ele reagiu dizendo: "Deus foi muito feliz quando criou o homem com duas orelhas. Uma serve para ouvir os aplausos e a outra para escutar as vaias". Completando o discurso ele discorreu sobre algumas coisas que merecem ser comentadas e refletidas. Ele falou que as vaias eram provenientes dos ricos (nunca vi rico em beira de estrada esperando autoridade para vaiar), e que eles não tinham o direito de vaiar porque em seu governo foram (eles, os ricos) quem mais ganharam dinheiro. Olhando o lucro de quatro bilhões que o Bradesco teve apenas no primeiro semestre de 2007, até que dá para concordar com o Presidente. Apenas não compreendo porque o Bradesco poderia deslocar "militantes" até Cuiabá, com a finalidade de vaiá-lo. Além deste aspecto, não soa bem aos meus ouvidos (minhas orelhas) essa tentativa de separar o país em classes (ricos e pobres), até porque, no meu pensamento, essas vaias podem ser até de outra classe, que tem discernimento para perceber desvios éticos e está sufocada entre os ricos que estão ganhando muito dinheiro com o atual governo (palavra do Presidente) e os "embolsa-votos-família" da vida. Também falou (até ameaçou, dizendo que: "todos sabem que nisso eu sou bom"), que se desejasse colocaria na rua um batalhão de pessoas (certamente para aplaudir a sua passagem). Eu entendi que, se essas pessoas que insistem em vaiá-lo persistissem nessa idéia, colocaria o seu "exército" de adeptos para um confronto. E ainda saiu com uma ameaça descabida, de que ninguém se engane que a democracia ainda é a melhor forma de convivência pacífica, porque o que vem depois dela é sempre pior. Confesso que não entendi bem esse recado senhor Presidente. O que virá depois? A ditadura do proletariado (com essa nem o senhor se acostumaria mais, ela já não faz parte de seu ideal revolucionário), ou a do tipo Hugo Chaves? O que eu lastimo mesmo, senhor presidente, é que, às vezes, duas orelhas não sejam suficientes para captar o que o ruído das vaias quer dizer. O seu Governo, mesmo beneficiado por uma economia estável em todo o mundo, não foi capaz de dar respostas satisfatórias para muitos problemas (entre eles, esse de deixar os ricos mais ricos), especialmente, para as questões éticas (de roubo mesmo), que vão aparecendo em cada escândalo envolvendo seus amigos, e os vários órgãos de seu governo. Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail: mota-gomes@uol.com.br (Publicado no jornal de Alagoas)
"Aqueles que passam por nós,não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si,levam um pouco de nós."("Antoine de Saint-Exupery")

quarta-feira, agosto 22, 2007

VINÍCIUS

Vinícius de Moraes De repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o pressentimentoE do momento imóvel fez-se o drama De repente, não mais que de repenteFez-se de triste o que se fez amanteE de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo o distanteFez-se da vida uma aventura erranteDe repente, não mais que de repente

amor ao próximo

  1. CHUVAS DE LUZ (João Cabete) Neste encontro de almas queridas Entrelaçadas em muitas vidas... Lábios sorrindo, mãos se afagando preces subindo, vozes cantando salve a fraternidade! Em nosso lar, clarins tocando em cada olhar, amor brilhando! Bênçãos do alto, chuva de luz sobre o planalto, glória a Jesus salve a fraternidade! Quanta harmonia, quanta emoção Paz e alegria, em cada coração... Quanta felicidade, salve a fraternidade! Quanta felicidade, salve a fraternidade! Fraternidade!

terça-feira, agosto 21, 2007

stephen king

O Guarda Hunton chegou à lavanderia quando a ambulância já partia ― devagar, sem sereias ou luzes piscando. Mau presságio. Lá dentro, o escritório estava abarrotado de pessoas inquietas e caladas, algumas das quais choravam. A lavanderia propriamente dita estava vazia; as grandes lavadoras automáticas na extremidade oposta nem mesmo tinham sido fechadas. Aquilo fez Hunton ficar muito atento. A multidão devia estar no local do acidente, não no escritório. Era o que costumava acontecer: o animal humano possuía uma compulsividade inata para ver os restos mortais. Então, fora coisa muitíssimo séria. Hunton sentiu um aperto no estômago, como sempre acontecia quando o acidente era muito grave. Quatorze anos de remover restos humanos de rodovias, ruas, sarjetas em frente a arranha-céus altíssimos não haviam conseguido eliminar aquela leve contração na barriga, como se alguma coisa maléfica se tivesse coagulado ali. Um homem de camisa branca avistou Hunton e se encaminhou para ele com relutância. Era um touro de um homem, com a cabeça atirada para frente entre os ombros, nariz e bochechas riscadas por vasos sangüíneos dilatados pela pressão alta por demasiada intimidade com a garrafa. Tentou articular palavras, mas, após a segunda tentativa, Hunton interrompeu-o vigorosamente: ― É o proprietário? É o Sr. Gartley? ― Não... não. Sou Stanner. O capataz. Oh, Deus, este... Hunton tirou do bolso a caderneta de anotações. ― Por favor, mostre-me a cena do acidente, Sr. Stanner. E conte-me o que aconteceu. Stanner pareceu empalidecer ainda mais; as manchas no nariz e bochechas destacavam se como marcas de nascença. ― E... é preciso? Hunton ergueu as sobrancelhas. ― Temo que sim. O chamado que recebi disse que era grave. ― Grave... Stanner deu a impressão de lutar contra a própria garganta; por um instante, seu pomo-de-adão subiu e desceu como um macaco num poste. ― A Sra. Frawley morreu. Jesus Cristo! Como eu gostaria que Bill Gartley estivesse aqui. ― O que aconteceu? Stanner disse: ― Acho melhor o senhor vir até aqui. Conduziu Hunton ao longo de uma fila de passadeiras manuais, uma máquina de dobrar camisas e parou junto a uma máquina de marcar roupas. Passou a mão trêmula pela testa. ― Terá que ir sozinho, seu guarda. Não posso olhar outra vez. Fico... Não posso. Sinto muito. Hunton rodeou a máquina de marcar com um leve sentimento de desprezo pelo homem. Trabalham sem maiores precauções, cortam caminho, fazem passar vapor fervente por canos soldados à moda doméstica, manipulam produtos químicos perigosos sem a proteção adequada e, afinal, alguém se machuca. Ou morre. Então, não suportam olhar. Não podem... Hunton viu. A máquina ainda funcionava. Ninguém a desligara. A máquina que ele posteriormente passou a conhecer intimamente: a Passadeira e Dobradeira de Alta Velocidade Hadley-Watson Modelo-6. Um nome comprido e desajeitado. O pessoal que trabalhava ali, no calor e umidade, tinha um nome mais apropriado para ela: a estraçalhadora. Hunton lançou à máquina um olhar prolongado e frio. Então, pela primeira vez em seus quatorze anos de guardião da lei, virou-se, levou convulsivamente a mão à boca e vomitou. ― Você não comeu muito ― disse Jackson. As mulheres estavam lá dentro, lavando a louça e conversando sobre crianças enquanto John Hunton e Mark Jackson sentavam-se nas cadeiras de jardim perto da aromática churrasqueira. Hunton sorriu levemente ao escutar o eufemismo. Ele não comera nada. ― Houve um ruim hoje ― disse ele. ― O pior. ― Acidente de automóvel? ― Não. Industrial. ― Sujo? Hunton não respondeu de imediato, mas fez uma careta involuntária de repulsa. Tirou uma cerveja da geladeira portátil colocada entre as duas cadeiras, abriu-a e tomou a metade. ― Suponho que vocês, professores universitários, nada saibam a respeito de lavanderias industriais, não é mesmo? Jackson soltou uma risadinha. ― Este aqui conhece. Passei um verão trabalhando numa delas, quando era estudante. ― Então, conhece a máquina que chamam passadeira de alta velocidade? Jackson meneou a cabeça em afirmativa. ― Claro. Servem para passar roupas lisas úmidas, principalmente lençóis e roupas de cama e mesa. Uma máquina grande e comprida. ― Isso mesmo ― disse Hunton. ― Uma mulher chamada Adelle Frawley foi apanhada pela máquina na Lavanderia Faixa Azul, no outro lado da cidade. A máquina sugou-a. Jackson pareceu repentinamente enjoado. ― Mas... isso não pode acontecer, Johnny. Existe uma barra de segurança. Se uma das mulheres que colocam roupas na máquina enfiar inadvertidamente a mão nela, a barra sobe e pára a máquina. Pelo menos, é assim que me recordo. Hunton meneou a cabeça, concordando. ― É uma lei estadual. Mas aconteceu. Hunton fechou os olhos e, no escuro, viu novamente a passadeira de alta velocidade adley-Watson, como acontecera naquela tarde. A máquina formava uma grande caixa retangular, com dez metros por dois. Na extremidade de alimentação, uma correia transportadora de lona corria sob a barra de segurança, subindo ligeiramente e depois descendo. A correia transportava lençóis úmidos e amarrotados, num ciclo contínuo, por cima e por baixo de dezesseis enormes cilindros rotativos que constituíam o corpo principal da máquina. Por cima de oito e por baixo de oito, comprimidos contra eles como fatias finas de presunto entre camadas de pão superaquecido. O calor do vapor nos cilindros podia ser regulado até 300 graus, para secamento máximo. A pressão sobre os lençóis transportados pela correia era de 800 libras por polegada quadrada, a fim de eliminar qualquer ruga. E, de algum modo, a Sra. Frawley fora apanhada e arrastada para o interior da máquina. O aço, os cilindros de passar recobertos de asbestos estavam vermelhos como tinta de celeiro e o vapor que se erguia da máquina trazia consigo o enjoativo cheiro de sangue aquecido. Pedaços de sua blusa branca e calças azuis, até mesmo fragmentos rasgados do sutiã e das calcinhas, tinham sido arrancados e ejetados pela extremidade oposta da máquina, a dez metros de distância, os pedaços maiores de tecido dobrados com grotesca e sanguinolenta perfeição pela dobradeira automática. Contudo, nem mesmo isto fora o pior. ― Tentei dobrar tudo ― disse ele a Jackson, sentindo gosto de bile na garganta. ― Mas uma pessoa não é um lençol, Mark. O que eu vi... o que restava dela... Como Stanner, o desaventurado capataz, ele não põde terminar. ― Levaram-na numa cesta ― disse em voz baixa. Jackson assoviou. ― Quem vai ser degolado? A lavanderia ou os fiscais estaduais? ― Ainda não sei ― replicou Hunton. A imagem maligna ainda lhe pairava na mente, a imagem da estraçalhadora assoviando, batendo, vibrando, o sangue escorrendo em filetes pelos lados verdes da comprida caixa, o cheiro de queimado da mulher... ― Depende de quem aprovou aquela maldita barra de segurança e em que circunstâncias o fez. ― Se for a gerência, conseguirão escapar desta? Hunton sorriu sem humor. ― A mulher morreu, Mark. Se Gartley e Stanner estavam fazendo economia na manutenção da passadeira de alta velocidade, irão para a cadeia. Não interessa se conhecem alguém na câmara municipal. ― Acha que eles faziam isso? Hunton lembrou-se da Lavanderia Faixa Azul, mal iluminada, o chão molhado e escorregadio, algumas das máquinas incrivelmente antigas e barulhentas. ― Creio que é provável ― respondeu em voz baixa. Levantaram-se para entrar juntos na casa. ― Conte-me o resultado, Johnny ― disse Jackson. ― Estou interessado. Hunton estava enganado a respeito da estraçalhadora: a máquina se encontrava em perfeito estado. Seis inspetores estaduais a examinaram, peça por peça, antes do inquérito. O resultado foi absolutamente negativo. O veredicto do inquérito foi morte acidental. Perplexo, Hunton procurou Roger Martin, um dos inspetores, após a audiência. Martin parecia um copo grande de água, com óculos tão grossos como o fundo de copos de dose pequena. Sob o interrogatório de Hunton, brincou com uma caneta esferográfica. ― Nada? Absolutamente nada de errado com a máquina? ― Nada ― respondeu Martin. ― Naturalmente, a barra de segurança foi o âmago da questão. Está em perfeita ordem de funcionamento. Você ouviu o depoimento daquela Sra. Gilhan. A Sra. Frawley deve ter avançado demais a mão. Ninguém viu; cada um cuidava de seu trabalho. Ela começou a gritar. A mão já se fora e a máquina estava puxando o braço. Tentaram puxá-la para fora, em lugar de desligarem a máquina ― puro pânico. Outra mulher, a Sra. Keene, afirmou haver tentado desligá-la, mas é uma suposição razoável que tenha apertado o botão de partida e não o de parada, em meio à confusão. A essa altura, já era tarde demais. ― Então, a barra de segurança funcionou mal ― declarou peremptoriamente Hunton. ― A menos que ela tenha passado a mão por cima da barra e não por baixo? ― É impossível. Existe uma placa de aço inoxidável acima da barra de segurança. E a barra propriamente dita não funcionou mal. Está ligada em circuito com a própria máquina. Se a barra de segurança entrar em pane, a máquina pára. ― Então, pelo amor de Deus, como aconteceu? ― Não sabemos. Meus colegas e eu somos de opinião que a única maneira pela qual a passadeira de alta velocidade poderia ter matado a Sra. Frawley foi que esta caísse na máquina, vindo de cima. E estava com ambos os pés no chão quando o acidente ocorreu. Uma dúzia de testemunhas confirmam isso. ― Você está descrevendo um acidente impossível ― disse Hunton. ― Não. Apenas um acidente que nós não compreendemos. Fez uma pausa, hesitou e depois acrescentou: ― Já que você parece levar o caso tão a sério, vou-lhe contar uma coisa, Hunton. Mas se você comentar com alguém, negarei ter dito qualquer coisa. Mas não gostei daquela máquina. Parecia... quase zombar de nós. Tenho inspecionado mais de uma dúzia de máquinas passadeiras de alta velocidade nos últimos cinco anos, a intervalos regulares. Algumas delas se encontram em estado tão deplorável que eu não permitiria nem a um cão aproximar-se delas ― a lei estadual é lamentavelmente frouxa., Apesar disso, eram apenas máquinas. Mas esta... é uma fantasma. Não sei por que, mas é. Acho que se eu encontrasse uma única coisa, o menor detalhe técnico fora de ordem, mandaria interditá-la. Loucura, não acha? ― Sinto a mesma coisa ― declarou Hunton. ― Deixe-me contar-lhe uma coisa que aconteceu há dois anos, em Milton ― disse o inspetor, tirando os óculos e começando a poli-los vagarosamente no colete. ― Um sujeito largou uma velha geladeira nos fundos do quintal. A mulher que nos chamou disse que seu cão foi apanhado pela geladeira e morreu sufocado. Pedimos à polícia estadual daquela área que informasse o homem de que a geladeira tinha que ir para o depósito de lixo municipal. Era um sujeito bastante educado, disse que sentia muito a morte do cão. Embarcou a geladeira em sua camioneta na manhã seguinte e a levou para o depósito de lixo. Naquela tarde, uma mulher da vizinhança deu queixa de que seu filho desaparecera. ― Meu Deus ― disse Hunton. ― A geladeira estava no depósito e o menino dentro dela, morto. Um menino esperto, segundo a mãe. Esta declarou que o filho jamais brincaria numa geladeira vazia, da mesma forma que nunca aceitaria carona de um estranho. Pois bem, ele brincou dentro da geladeira. Deixamos tudo de lado. Caso encerrado? ― Creio que sim -respondeu Hunton. ― Não. No dia seguinte, o vigia do depósito foi retirar a porta da geladeira. Portaria Municipal n° 58, relativa à manutenção de depósitos públicos de lixo ― disse Martin, olhando inexpressivamente para Hunton. ― Encontrou dentro dela seis aves mortas. Gaivotas, pardais, um tordo. E contou que a poria da geladeira se fechou sobre seu braço quando ele varria as aves mortas. Deu-lhe um susto dos diabos. A estraçalhadora da Lavanderia Faixa Azul me causa essa impressão, Hunton. Não gosto dela. Fitaram-se calados na sala de audiências deserta, a cerca de seis quarteirões do local onde a Passadeira e Dobradeira de Alta Velocidade Hadley-Watson Modelo-6 funcionava na movimentada lavanderia, fumegando vapor sobre os lençóis. Em uma semana o caso foi afastado da mente de Hunton por tarefas policiais mais prosaicas. Só voltou quando ele e a esposa foram à casa de Mark Jackson para uma noitada de bisca e cerveja. Jackson o cumprimentou com: ― Já lhe passou pela cabeça que a máquina da lavanderia de que me falou seja assombrada, Johnny? Hunton piscou, confuso. ― O quê? ― Aquela passadeira de alta velocidade da Lavanderia Faixa Azul. Creio que não foi você quem atendeu ao chamado desta vez. ― Que chamado? ― quis saber Hunton, interessado. Jackson passou-lhe o jornal vespertino e apontou para uma notícia no final da segunda página. O jornal dizia que se rompera um tubo de vapor da grande máquina passadeira de alta velocidade na Lavanderia Faixa Azul, queimando três das seis mulheres que trabalhavam na extremidade de alimentação da máquina. O acidente ocorrera às 3:45 da tarde e fora atribuído a uma elevação de pressão na caldeira da lavanderia. Uma das mulheres, a Sra. Anette Gillian, estava internada no Hospital Municipal com queimaduras de segundo grau. ― Estranha coincidência ― comentou ele, mas a lembrança das palavras do Inspetor Martin na sala de audiências vazia voltou-lhe de imediato à mente: É um fantasma... E a estória sobre o cão, o menino e as aves apanhados pela velha geladeira. Naquela noite, ele jogou cartas muito mal. A Sra. Gillian estava recostada na cabeceira da cama, lendo Screen Secrets, quando Hunton entrou na enfermaria de quatro camas. Uma enorme bandagem cobria-lhe um braço e o lado do pescoço. A outra ocupante da enfermaria, uma jovem pálida, estava adormecida. A Sra. Gillian piscou ao ver o uniforme azul e, em seguida, sorriu com certa hesitação. ― Se for com a Sra. Cherinikov, o senhor terá que voltar mais tarde. Acabaram de dar-lhe a medicação. ― Não, é com a senhora mesmo, Sra. Gillian. O sorriso diminuiu. ― Estou aqui não oficialmente ― o que significa que me sinto curioso quanto ao acidente na lavanderia. Sou John Hunton. Ele estendeu a mão. Foi a atitude adequada. O sorriso da Sra. Gillian tornou-se brilhante e ela apertou desajeitadamente a mão de Hunton com sua mão ilesa. ― Estou às suas ordens, Sr. Hunton. Meu Deus, pensei que o meu Andy estivesse metido em encrencas na escola novamente. ― O que aconteceu? ― Estávamos colocando lençóis na máquina quando ela simplesmente explodiu... ou algo semelhante. Eu pensava em ir para casa passear com os cães, quando houve um grande estouro, como uma bomba. Vapor por toda parte e aquele barulho de assovio... Horrível ― respondeu ela, o sorriso trémulo prestes a apagar-se. ― Era como se a máquina respirasse. Como um dragão, na verdade. E Alberta... isto é, Alberta Keene... gritou que alguma coisa estava explodindo; todo mundo corria e gritava; Ginny Jason começou a gritar que estava queimada. Comecei a correr e caí. Até então, eu não sabia que fora a mais atingida. Graças a Deus não foi pior. Aquele vapor passa nos tubos a 3OO graus. ― O jornal disse que um tubo de vapor se rompeu. O que significa isso? ― O tubo do teto desce até uma espécie de tubo flexível que alimenta a máquina. George... isto é, o Sr. Stanner... disse que deve ter havido excesso de pressão na caldeira, ou algo assim. O tubo flexível estourou. Hunton não conseguiu pensar em outras perguntas a fazer. Estava prestes a sair quando ela disse, pensativa: ― Não costumávamos ter problemas com aquela máquina. Só recentemente. O rompimento do tubo flexível. Aquele horrível, horrível acidente com a Sra. Frawley, que Deus a tenha. E algumas coisinhas, como o dia em que o vestido de Essie se prendeu numa das correntes de transmissão. Poderia ter sido perigoso, se ela não rasgasse a saia imediatamente. E parafusos e porcas que se soltam. Oh, Herb Diment ― é o mecânico da lavanderia ― tem passado maus bocados com a máquina. Os lençóis ficam presos na dobradeira. George afirma que isso acontece porque estão usando branqueador demais nas máquinas de lavar, mas não costumava acontecer. Agora as garotas detestam trabalhar na máquina. Essie diz até mesmo que ainda tem pedaços de Adelle Frawley lá dentro e isso é sacrilégio, ou algo assim. Como se existisse uma maldição. Tem sido assim desde que Sherry cortou a mão num dos grampos. ― Sherry? ― repetiu Hunton. ― Sherry Ouelette. Uma belezinha, mal saída do ginásio. Boa trabalhadora. Mas desajeitada, às vezes. O senhor sabe como são as jovens. ― Ela cortou a mão em alguma coisa? ― Nada de estranho nisso. Existem grampos que apertam a correia de alimentação, compreende? Sherry estava ajustando os grampos para podermos passar uma carga mais pesada de roupas e, provavelmente, sonhando com algum rapaz. Cortou o dedo e sangrou por todos os lados. A Sra. Gillian pareceu intrigada. ― Só depois disso os parafusos começaram a soltar-se. Adelle foi... o senhor sabe... uma semana depois. Como se a máquina tivesse experimentado o gosto do sangue e tivesse gostado dele. As mulheres às vezes têm idéias engraçadas, não acha, Sr. Hinton? ― Hunton ― corrigiu ele distraidamente, olhando por cima da cabeça dela para o espaço. Ironicamente, Hunton conhecera Jackson numa lavanderia automática com lanchonete anexa, situada no quarteirão que separava suas casas, e ainda era lá que o guarda e o professor de inglês tinham suas conversas mais interessantes. Agora, sentavam-se lado a lado em cadeiras de plásticos, suas roupas girando por detrás das portinholas de vidro das máquinas de lavar que funcionavam com moedas. A brochura contendo a coleção das obras de Milton, pertencente a Jackson, ficara largada de lado enquanto ele escutava Hunton relatar a estória da Sra. Gillian. Quando Hunton terminou, Jackson disse: ― Eu lhe perguntei, certa vez, se você julgava que a estraçalhadora poderia ser assombrada. Naquela ocasião, foi brincadeira. Agora, torno a perguntar. ― Não ― respondeu Hunton. ― Não seja estúpido. Jackson observou pensativamente as roupas que giravam nas máquinas. ― Assombrada é um termo inadequado. Digamos possessa. Existem quase tantos encantamentos para chamar os demônios quanto para expulsá-los. O Galho Dourado, de Frazier, está cheio deles. Os folclores asteca e druídico contêm outros. E existem ainda mais antigos, que remontam ao Egito. Quase todos eles podem ser reduzidos a denominadores espantosamente comuns. O mais comum, naturalmente, é o sangue de uma virgem. Olhou para Hunton, acrescentando: ― A Sra. Gillian disse que tudo começou depois que a tal Sherry Ouelette cortou-se acidentalmente. ― Ora, deixe disso ― replicou Hunton. ― Você tem que admitir que ela parece ser o tipo exato ― insistiu Jackson. ― Irei diretamente à casa dela ― disse Hunton com um leve sorriso Posso até imaginar: "Srta. Ouelette, sou o Guarda John Hunton. Estou investigando uma passadeira de alta velocidade possuída pelo demônio e gostaria de saber se a senhorita é virgem." Acha que terei oportunidade para despedir-me de Sandra e das crianças antes que me levem para o manicômio? ― Estou disposto a apostar que você acabará dizendo algo bem semelhante ― disse Jackson, sem sorrir. ― Estou falando sério, Johnny. Aquela máquina me deixa morto de medo e eu nem sequer a vi. ― Apenas para podermos argumentar ― disse Hunton ―, quais são alguns dos outros supostos denominadores comuns? Jackson sacudiu os ombros. ― É difícil dizer sem estudar o assunto. A maioria das fórmulas de magia anglosaxônicas especificam terra de cemitério ou um olho de sapo. Os encantamentos e feitiços europeus mencionam freqüentemente a mão da glória, que pode ser interpretada como a mão de um defunto ou uma das drogas alucinógenas usada em conexão com o Sabá dos Bruxos geralmente a beladona ou um derivado da psilocibina. Devem existir outros. ― E você acha que tudo isso entrou na passadeira da Lavanderia Faixa Azul? Por Deus, Mark, sou capaz de apostar que não existe beladona num raio de oitocentos quilômetros daqui. Ou julga que alguém decepou a mão de seu falecido Tio Fred e a largou na dobradeira? ― Se sete macacos datilografassem durante setecentos anos... ― Um deles escreveria as obras de Shakespeare ― concluiu Hunton em tom azedo. ― Vá para o inferno. É sua vez de ir à farmácia conseguir troco para colocarmos moedas nas máquinas de secar. Foi muito esquisito como George Stanner perdeu o braço na estraçalhadora. Às sete horas da manhã de segunda-feira a lavanderia estava deserta a não ser por Stanner e Herb Diment, o mecânico de manutenção. Estavam cumprindo a tarefa semestral de lubrificar os rolamentos da estraçalhadora afites que o expediente normal da lavanderia começasse às sete e meia. Diment se encontrava na extremidade oposta, lubrificando os quatro rolamentos secundários e refletindo sobre o quanto aquela máquina fazia-o sentir-se mal naquelas últimas semanas, quando a estraçalhadora começou repentinamente a funcionar ruidosamente: Diment estivera erguendo quatro das correias de lona da saída da máquina, a fim de poder alcançar o motor sob elas, quando, de repente, as correias começaram a passar em suas mãos, rasgando a pele e carne das palmas e arrastando-o consigo. Livrou-se com um arranco convulsivo segundos antes que as correias arrastassem suas mãos para o interior da dobradeira. ― Que diabo, George! ― berrou ele. ― Desligue essa maldita máquina! George Stanner começou a berrar. Um som agudo, lamentoso, enlouquecido de sangue, que encheu a lavanderia, ecoando nas caixas de aço das máquinas de lavar, nas bocas escancaradas das máquinas de passar a vapor, nos olhos vazios das grandes máquinas de secar. Stanner inspirou uma grande quantidade de ar e tornou a gritar: ― Oh, meu Jesus Cristo, fui apanhado! FUI APANHADO! Os rolos começaram a emitir vapor fervente. A dobradeira rangia e vibrava. Rolamentos e motores pareciam gritar com uma oculta vida própria. Diment correu para a outra extremidade da máquina. O primeiro rolo já assumia uma sinistra coloração vermelha. Diment emitiu um gemido gorgolejante. A estraçalhadora uivava, silvava e vibrava. Um observador surdo julgaria., a princípio, que Stanner estava apenas debruçado sobre a máquina num ângulo esquisito. Depois, até mesmo um surdo veria o ricto pálido no rosto de olhos esbugalhados, a boca contorcida abrindo-se em um grito contínuo. O braço desaparecia sob a barra de segurança e por baixo do primeiro cilindro; o tecido da camisa fora arrancado na costura do ombro e o antebraço inchava grotescamente à medida que o sangue era impelido de volta. ― Desligue! ― berrou Stanner. Seu cotovelo se partiu com um estalo. Diment apertou o botão de desligar. A estraçalhadora continuou a zumbir, grunhir, girar. Incrédulo, Diment tornou a apertar repetidamente o botão. E, novamente ― nada. A pele do braço de Stanner estava brilhante e esticada. Logo se romperia sob a pressão exercida pelo cilindro; ainda assim, ele continuava consciente, gritando. Diment viu a imagem de uma caricatura de pesadelo: um homem esmagado por um rolo compressor, deixando apenas uma sombra. ― Os fusíveis...! ― guinchou Stanner. Sua cabeça estava sendo puxada para baixo, à medida que ele era arrastado para a frente. Diment girou nos calcanhares e correu à sala da caldeira, os gritos de Stanner a persegui-lo como fantasmas lunáticos. Na parede esquerda existiam três pesadas caixas cinzentas contendo todos os fusíveis do sistema elétrico da lavanderia. Diment abriu-as e, como um louco, começou a arrancar os compridos fusíveis cilíndricos, atirando-os por cima dos ombros. As luzes se apagaram; depois o compressor de ar; então, a própria caldeira, com uma forte lamúria que morreu aos poucos. E a estraçalhadora continuava funcionando. Os gritos de Stanner reduziram-se a gemidos borbulhantes. Por acaso, o olhar de Diment pousou no machado de incêndio em sua caixa com porta de vidro. Agarrou-o com um gemido engasgado e correu de volta à máquina. O braço de Stanner já se fora quase até o ombro. Dentro de alguns segundos seu pescoço retesado se quebraria de encontro à barra de segurança. ― Não posso ― balbuciou Diment, empunhando o machado. ― Meu Deus, George, eu não posso... Agora, a máquina era um abatedouro. A dobradeira cuspia pedaços de manga de camisa, tiras de carne, um dedo. Stanner soltou um forte grito de desespero e Diment ergueu o machado, golpeando no interior obscuro e sombrio da lavanderia. Duas vezes. Outra mais. Stanner tombou ao chão, inconsciente e azulado, o sangue jorrando do coto de braço abaixo do ombro. A estraçalhadora tragou o que ainda restava do braço... e parou. Chorando, Diment tirou o cinto das calças e começou a fazer um torniquete. Hunton falava ao telefone com Roger Martin, o inspetor. Jackson o observava, rolando pacientemente uma bola para Patty Hunton, de três anos de idade, brincar. ― Ele retirou todos os fusíveis? ― perguntou Hunton. ― E o botão de parada simplesmente não funcionou, hem? ... A máquina foi interditada? ... Muito bem. Ótimo. Hem? ... Não, não é oficial. Hunton franziu a testa e lançou um olhar de esguelha a Jackson. ― Ainda se recorda daquela geladeira velha, Roger? ... Sim. Para mim também. Até logo. Desligou e olhou para Jackson. ― Vamos falar com a garota, Mark. Ela morava em seu próprio apartamento (a maneira hesitante, porém possessiva, pela qual convidou-os a entrar depois que Hunton lhe exibiu o distintivo da polícia levou-o a suspeitar que ela não o possuía há muito tempo) e sentou-se nervosamente em frente a eles na minúscula sala cuidadosamente decorada. ― Sou o Guarda Hunton e esse é meu parceiro, Sr. Jackson. É a respeito do acidente na lavanderia. Sentia-se imensamente pouco à vontade com aquela moça morena, tímida e bonita. ― Terrível ― murmurou Sherry Ouelette. ― Foi o único lugar onde trabalhei. O Sr. Gartley é meu tio. Gostei porque ele me permitiu morar aqui e ter meus próprios amigos. Mas agora... é tão assombroso... ― A Junta Estadual de Segurança Industrial interditou a máquina até o final de uma investigação minuciosa ― disse Hunton. ― A senhorita já sabia? ― Claro ― suspirou ela, inquieta. ― Não sei o que vou fazer... ― Srta. Ouelette ― interrompeu Jackson ―, sofreu um acidente naquela máquina, não é mesmo? Cortou a mão num grampo, creio? ― Sim, cortei o dedo. De repente, seu rosto se anuviou. ― Aquilo foi a primeira coisa ― disse ela, fitando-os com ar triste. Às vezes, sinto que as garotas já não gostam tanto de mim comz) antes... como se eu fosse a culpada. ― Preciso fazer-lhe uma pergunta grosseira ― disse vagarosamente Jackson. ― Uma pergunta que não lhe agradará. Parece absurdamente pessoal e sem qualquer relação com o assunto, mas só lhe posso dizer que não é assim. Suas respostas nem mesmo serão anotadas numa ficha ou registro. Ela pareceu assustada: ― Eu... fiz alguma coisa errada? Jackson sorriu e meneou negativamente a cabeça; ela se derreteu. Graças a Deus pela presença de Mark, pensou Hunton. ― Todavia, acrescentarei o seguinte: a resposta poderá ajudá-la a manter este belo apartamento, a voltar ao emprego, a tornar as coisas na lavanderia como eram antes. ― Eu responderia qualquer pergunta para conseguir isso ― declarou a moça. ― Sherry, você é virgem? Ela ficou totalmente perplexa, chocada, como se um sacerdote lhe desse a comunhão e, em seguida, a esbofeteasse. Então, ergueu a cabeça, fez um gesto indicando o pequeno apartamento bem arrumado, como se perguntasse a eles como podiam acreditar que fosse um local de encontros amorosos. ― Estou-me guardando para meu marido ― replicou simplesmente. Hunton e Jackson entreolharam-se calmamente e, naquela fração de segundo, Hunton compreendeu que tudo era verdade: um demônio se apoderara do aço inanimado das engrenagens da estraçalhadora, transformando-a em algo com vida própria. ― Muito obrigado ― disse Jackson em voz baixa. ― E agora? ― indagou Hunton, desanimado, no caminho de volta. Procuramos um padre para exorcizar a máquina? Jackson grunhiu. ― Você teria que ir muito longe até encontrar algum padre que não lhe desse as Escrituras para ler enquanto ele telefonasse para o manicômio. O problema é seu, Johnny. ― Podemos fazer isso? ― Talvez. O problema é o seguinte: sabemos que existe algo na máquina. Não sabemos o quê. Hunton sentiu um calafrio, como se tocado por um dedo descarnado. Jackson prosseguiu: ― Existem muitos demônios. O que estamos enfrentando pertence ao círculo de Bubastis ou Pan? Baal? Ou ao demônio cristão que, chamamos de Satã? Não sabemos. Se o demônio resultasse de um feitiço proposital, teríamos melhores possibilidades. Todavia, parece tratar-se de um caso de possessão aleatória. Jackson passou os dedos pelos cabelos e acrescentou: ― O sangue de uma virgem, sim. Mas isso não estreita nosso campo. Precisamos ter certeza, muita certeza. ― Por quê? ― perguntou bruscamente Hunton. ― Por que simplesmente não reunimos uma série de fórmulas de exorcismo e as experimentamos? O rosto de Jackson assumiu uma expressão fria. ― Não se trata de polícia e bandidos, Johnny. Pelo amor de Deus, nem pense nisso. O ritual de exorcismo é horrivelmente perigoso. De certo modo, é como fissão nuclear controlada. Podemos cometer um erro e nos destruirmos. O demônio está preso naquela máquina. Contudo, se lhe dermos uma oportunidade... ― Ele poderia sair? ― Ele adoraria sair ― replicou sombriamente Jackson. ― E gosta de matar. Quando Jackson chegou na tarde seguinte, Hunton mandara a mulher e a filha ao cinema. Tinham a sala à sua disposição e Hunton se sentia aliviado por isso. Ainda mal podia acreditar no que se envolvera. ― Cancelei minhas aulas ― informou Jackson. ― E passei o dia com alguns dos livros mais horríveis que se possa imaginar. Esta tarde, alimentei o computador com mais de trinta receitas para invocar demônios. Consegui vários elementos comuns. Surpreendentemente poucos. Mostrou a lista a Hunton: sangue de virgem, terra de cemitério, mão de glória, sangue de morcego, musgo noturno, casco de cavalo, olho de sapo. Havia outros, todos assinalados como secundários. ― Casco de cavalo ― disse Hunton, pensativo. ― Engraçado... ― É muito comum. Na verdade... Hunton interrompeu: ― Poderiam essas coisas ― qualquer uma delas ― ser interpretadas flexivelmente? ― Se liquens colhidos à noite pudessem substituir musgo noturno, por exemplo? ― Sim. ― É muito provável ― replicou Jackson. ― As fórmulas mágicas são freqüentemente ambíguas e elásticas. A magia negra sempre deixou bastante espaço para a criatividade. ― Substitua casco de cavalo por gelatina, por exemplo ― disse Hunton. ― Muito popular nos almoços de marmita. Notei um pequeno recipiente de gelatina sob a plataforma da máquina no dia em que a Sra. Frawley morreu. Gelatina é feita com cascos de cavalo. Jackson assentiu. ― Mais alguma coisa? ― Sangue de morcego... bem, é um lugar amplo, com muitos cantos e nichos não iluminados. A presença de morcegos parece provável, embora eu duvide que a administração admitisse que eles existam lá. É concebível que um dos morcegos ficasse acidentalmente preso na máquina. Jackson inclinou a cabeça para trás e esfregou os olhos injetados de sangue. ― Ajusta-se... tudo se ajusta. ― É mesmo? ― Sim. E creio que podemos eliminar com segurança a mão de glória. Certamente ninguém largou uma mão na máquina antes da morte da Sra. Frawley e a beladona decididamente não é uma planta nativa desta região. ― Terra de cemitério? ― O que acha? ― Teria que ser urna coincidência dos diabos ― replicou Hunton. O cemitério mais próximo é Pleasant Hill, que fica a oito quilômetros da Lavanderia Faixa Azul. ― Muito bem ― disse Jackson. ― Consegui que o operador do computador ― que pensou que eu me preparava para a Noite das Bruxas fizesse um breakdown positivo de todos os elementos primários e secundários constantes da lista. Todas as combinações possíveis. Eliminei cerca de duas dúzias que não faziam o menor sentido. Os outros se agrupam em categorias razoavelmente bem definidas. Os elementos que isolamos pertencem a uma delas. ― Qual é? Jackson sorriu. ― Uma bem fácil. Os centros de mitos na América do Sul com ramificações no Caribe. Relacionados com o vodu. A literatura que consultei considera as divindades estritamente de somenos importância quando comparadas à turma da pesada, como Saddath ou Aquele-Cujo-Nome-Não-Se-Pronuncia. A coisa naquela máquina vai fugir como o valentão do bairro. ― Como faremos? ― Água benta e um fragmento da Sagrada Eucaristia devem ser suficientes. E também podemos ler parte do Levítico para a máquina. Pura magia branca cristã. ― Tem certeza de que não é pior? ― Não vejo como poderia ser ― disse Jackson, pensativo. ― Não me importo de lhe confessar que aquela mão de glória me preocupava. É magia muito negra. Forte pra valer. ― Água benta não a deteria? ― Um demônio invocado com conjunção com a mão de glória poderia devorar uma pilha inteira de bíblias como café da manhã. Estaríamos seriamente encrencados se nos metêssemos com algo assim. Seria melhor desmontar a maldita máquina. ― Bem, se tem tanta certeza... ― Não, tenho apenas uma certeza razoável ― disse Jackson. ― Tudo se ajusta perfeitamente. ― Quando? ― Quanto mais cedo melhor ― replicou Jackson. lá? Quebramos uma vidraça? ― Como entramos Hunton sorriu, enfiou a mão no bolso e balançou uma chave diante do nariz de Jackson. ― Quem lhe arranjou isso? Gartley? Não ― respondeu Hunton. ― Um inspetor estadual chamado Martin. ― Ele sabe que vamos? ― Creio que desconfia. Contou-me uma estória curiosa há duas semanas. ― A respeito da estraçalhadora? ― Não ― disse Hunton. ― A respeito de uma geladeira. Vamos. Adelle Frawley estava morta; recosturada por um paciente embalsamador, jazia em seu caixão. Não obstante, parte de seu espírito talvez permanecesse na máquina e, se assim era, gritava. Eia saberia, poderia tê-los prevenido. Tinha tendência a indigestão e, por causa de um mal tão comum, ingeria pastilhas estomacais chamadas E-Z Gel, que podiam ser adquiridas em qualquer farmácia por noventa e nove centavos. No lado externo da caixa está impressa uma advertência: portadores de glaucoma não devem ingerir E-Z Gel porque o ingrediente ativo agrava essa condição. Infelizmente, Adelle Frawley não sofria de glaucoma. Poderia ter-se lembrado do dia, pouco antes de Sherry Ouelette cortar a mão, em que ela deixara cair uma caixa cheia de pastilhas de E-Z Gel na máquina, por acidente. Todavia, ela estava. morta, sem se dar conta de que o ingrediente ativo que lhe aliviava a azia era um derivado químico da beladona, conhecida curiosamente em alguns países da Europa pelo nome "mão de glória". Houve um repentino e desagradável som de arroto no silêncio espectral da Lavanderia Faixa Azul ― um morcego voou cegamente para sua toca na camada de isolamento acima das secadoras, onde fizera seu ninho, fechando as asas sobre a cara cega. O barulho quase se assemelhava a uma risadinha. A estraçalhadora começou a funcionar com um rangido repentino correias passando velozmente na escuridão, engrenagens rolavam ruidosamente, os pesados cilindros pulverizadores rodavam continuamente. Está pronta para eles. Passava um pouco de meia-noite quando Hunton parou o carro no estacionamento e a lua se ocultou por detrás de um grupo de nuvens que se movimentava no céu. Num só movimento, Hunton pisou no freio e apagou os faróis; a testa de Jackson quase se chocou contra o painel acolchoado. Desligou a ignição e o contínuo barulho de engrenagem e jatos de vapor ficou mais audível. ― É a estraçalhadora ― disse ele. ― É a estraçalhadora. Funcionando sozinha. Em plena noite. Ficaram sentados no carro por um momento, calados, sentindo o medo subir-lhes pelas pernas. Afinal, Hunton disse: ― Muito bem, vamos lá. Saltaram e caminharam até o prédio, ouvindo o barulho da estraçalhadora tornar-se mais alto. Quando Hunton enfiou a chave na fechadura da porta de serviço, refletiu que a máquina soava como se estivesse viva como se respirasse em enormes inalações quentes e falasse consigo mesma em sardônicos sussurros sibilantes. ― De repente, sinto-me satisfeito por estar com um tira ― declarou Jackson. Passou o saco pardo que carregava de um braço para outro. O saco continha um vidrinho de geléia cheio de água benta, envolto em papel impermeável, e uma Bíblia Sagrada. Entraram e Hunton acionou os interruptores de luz situados junto à porta. As lâmpadas fluorescentes piscaram e produziram luz fria. No mesmo instante, a estraçalhadora parou. Uma membrana de vapor cobria os cilindros. A máquina esperava por eles em seu novo e ameaçador silêncio. ― Deus, como é feia! ― murmurou Jackson. ― Vamos ― disse Hunton. ― Antes de perdermos a coragem. Andaram até a máquina. A barra de segurança estava na posição baixa, acima da correia que alimentava a máquina. Hunton estendeu a mão. ― Aqui já basta, Mark. Passe-me as coisas e diga-me o que fazer. ― Mas... ― Não discuta. Jackson passou-lhe o saco e Huntou o colocou na mesa dos lençóis, em frente à máquina. Entregou a Bíblia a Jackson. ― Vou ler ― disse Jackson. ― Quando eu apontar para você, use os dedos para espargir água benta na máquina, dizendo: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vai-te daqui, impuro." Entendeu? ― Sim. ― Na segunda vez que eu apontar para você, quebre a hóstia e repita a invocação. ― Como saberemos se está dando certo? ― Você saberá. A coisa é capaz de quebrar todas as vidraças do prédio, ao' sair. Se não der resultado na primeira vez, continuaremos a repetir até que dê. ― Estou verde de medo ― disse Hunton. ― Para dizer a verdade, eu também estou. ― Se nos enganamos a respeito da mão de glória... ― Não nos enganamos ― replicou Jackson. ― Lá vamos nós. Começou a ler. Sua voz encheu a lavanderia deserta com ecos espectrais: ― "Não vos volvais para os ídolos, nem façais para vós deuses fundidos. Eu sou o Senhor vosso Deus.. " As palavras caíam como pedras num silêncio que de repente se enchia de um frio insidioso, tumular. A estraçalhadora permanecia silenciosa e imóvel sob as lâmpadas fluorescentes. Para Hunton, ela ainda parecia sorrir malevolamente. ― "... e a terra vos vomitará de seu seio por tê-la contaminado, como vomitou outros povos antes de vós..." Jackson ergueu os olhos, com o rosto tenso, e apontou. Hunton respingou água benta na correia transportadora. Houve um súbito grito rangente de metal torturado. A fumaça subia das correias nos pontos onde a água benta pingara, assumindo formas contorcidas e tingidas de vermelho. A estraçalhadora começou a funcionar repentinamente. ― Nós o apanhamos! ― gritou Jackson acima do crescente barulho. ― Está fugindo! Recomeçou a ler, erguendo a voz para vencer o ruído da maquinaria. Apontou outra vez para Hunton e este jogou alguns fragmentos de hóstia. Quando ele o fez, foi bruscamente dominado por um terror de gelar os ossos até a medula, a repentina e vívida sensação de que não dera certo, de que a máquina não se amedrontara com o blefe ― e era mais forte que eles. A voz de Jackson continuava a elevar-se, aproximando-se do clímax. Centelhas começaram a saltar através do arco entre o motor principal e o secundário; o cheiro de ozônio enchia o ambiente, como o cheiro de cobra do sangue quente. Agora, o motor principal passou a emitir fumaça; a estraçalhadora funcionava numa velocidade louca, inacreditável: bastaria tocar a ponta de um dedo na correia central para que o corpo inteiro fosse tragado pela máquina e reduzido a trapos sangrentos no espaço de cinco segundos. O chão de concreto vibrava e tremia sob os pés deles. Um rolamento principal estourou com uma esfusiante explosão de luz roxa, enchendo o ar gelado com o cheiro de tempestades elétricas; ainda assim, a estraçalhadora funcionava cada vez mais depressa, correias, cilindros e engrenagens girando numa velocidade que os fazia parecer se mesclarem, mudarem, derreterem, transmudarem... Hunton, que ficara imóvel, quase hipnotizado, deu um súbito passo à retaguarda. ― Afaste-se! ― berrou acima da barulheira infernal. ― Estamos quase o pegando! ― gritou Jackson em resposta. ― Por que... De repente, um barulho indescritível de algo que se rasgava. Uma fissura no chão de concreto correu em direção a eles e passou, alargando-se. Pedaços de cimento velho voaram como numa explosão de estrelas. Jackson olhou para a estraçalhadora e gritou. A máquina tentava erguer-se do concreto, como um dinossauro tentando escapar de uma poça de piche. E já não era mais uma máquina passadeira e dobradeira. Continuava a mudar, a derreter-se. O cabo de 550 volts caiu, cuspindo centelhas azuis, e foi tragado pelos cilindros. Por um instante, duas bolas de fogo olharam para eles como olhos em chamas, dominados por uma fome fria e enorme. Outra fenda se abriu no chão. A estraçalhadora inclinou-se para eles, quase totalmente livre do concreto que a ancorava. Zombava deles com um sorriso diabólico; a barra de segurança se ergueu e o que Hunton viu foi uma boca escancarada e faminta, cheia de vapor. Voltaram-se para fugir e outra fenda se abriu a seus pés. Por trás deles, um rugido monstruoso quando a coisa se libertou. Hunton saltou sobre a fenda, mas Jackson escorregou e caiu. Hunton virou-se para ajuda-lo, mas uma imensa sombra amorfa caiu sobre ele, bloqueando a luz das lâmpadas fluorescentes. A máquina ergueu-se acima de Jackson, que estava caído de costas com os olhos esbugalhados e o rosto contraído num ricto de pavor ― o sacrifício perfeito. Hunton teve apenas a impressão confusa de algo negro e móvel que assumia proporções gigantescas diante dos dois. Algo com brilhantes olhos elétricos do tamanho de bolas de futebol, uma boca escancarada com uma língua de lona que não parava de correr. Fugiu. O grito de morte de Jackson o acompanhou. Quando Roger Martin finalmente se levantou da cama para atender a campainha da porta, estava apenas um terço acordado; mas quando Hunton cambaleou para o interior da sala, ele foi despertado pelo choque que o trouxe de volta à realidade do mundo como uma bofetada de mão rude. Os olhos de Hunton pareciam querer saltar loucamente das órbitas e suas mãos eram garras que arranhavam o peito do roupão de Martin. Um filete de sangue escorria de um pequeno corte no rosto, que estava manchado de cinza por cimento pulverizado. Seus cabelos se haviam tornado totalmente brancos. ― Ajude-me... pelo amor de Deus, ajude-me. Mark está morto. Jackson está morto. ― Acalme-se ― disse Martin. ― Venha sentar-se. Hunton o acompanhou, produzindo um grosso som lamurioso na garganta, como um cão. Martin serviu-lhe uma dose dupla de aguardente e Hunton segurou o copo com ambas as mãos, engolindo a forte bebida de um só gole. O copo rolou pelo tapete e as mãos de Hunton, como fantasmas errantes, procuraram novamente as lapelas do roupão de Martin. ― A estraçalhadora matou Mark Jackson. Ela... ela... oh, Deus... ela é capaz de escapar! Não podemos permitir que escape! Não podemos... nós... oh!... Começou a berrar, um som louco e agudo que se elevava e baixava em ciclos irregulares. Martin tentou dar-lhe outro drinque, mas Hunton derrubou o copo com um tapa. ― Precisamos queima-la ― disse ele. ― Queima-la antes que escape. Oh, e se ela escapar? Oh, Deus, e se ela... Seus olhos faiscaram, vidraram-se, rolaram para cima deixando o branco à mostra e ele tombou no tapete totalmente desmaiado. A Sra. Martin estava à porta, segurando a gola do roupão na garganta. ― Quem é ele, Rog? É maluco? Pensei que... Ela estremeceu. ― Não creio que ele seja louco ― disse Martin. A mulher ficou subitamente assustada pela doentia sombra de medo no rosto do marido. ― Meu Deus, espero que ele tenha chegado aqui a tempo... Martin pegou o telefone e ficou imóvel. A leste da casa, na direção de onde viera Hunton, havia um leve barulho que crescia aos poucos. Um constante rangido metálico que se tornava mais alto. A janela da sala estava meio aberta e Martin captou na brisa um cheiro estranho. O odor de ozônio... ou de sangue. Ficou parado, com o telefone inútil na mão, enquanto o barulho aumentava, rangendo e fumegando ― algo nas ruas que eta quente e emitia vapor. O fedor de sangue encheu a sala. Martin largou o telefone. A coisa já estava lá fora.

domingo, agosto 19, 2007

Clarice Lispector (Ucrânia, 1925 - Brasil, 1977) A criada Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde um doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida. Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem - abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas. Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão - que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo - o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente. Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar. Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento. Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se podia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza. Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser muito antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas - senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E - de repente - a floresta. Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo. Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira - em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera - tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério. Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros. Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa - ao sol; que enxugava o chão - molhado pela chuva; que estendia lençóis - ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira. A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena. Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera em suas florestas. in “Felicidade Clandestina” Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

quinta-feira, agosto 16, 2007

Conta a lenda que dormia/Uma Princesa encantada/A quem só despertaria/Um Infante, que viria/De além do muro da estrada. Ele tinha que, tentado,/Vencer o mal e o bem,/Antes que, já libertado,/Deixasse o caminho errado/Por o que à Princesa vem. A Princesa Adormecida,/Se espera, dormindo espera,/Sonha em morte a sua vida,/E orna-lhe a fronte esquecida,/Verde, uma grinalda de hera. Longe o Infante, esforçado,/Sem saber que intuito tem,/Rompe o caminho fadado,Ele dela é ignorado,/Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino/Ela dormindo encantada,/Ele buscando-a sem tino/Pelo processo divino/Que faz existir a estrada. E, se bem que seja obscuro/Tudo pela estrada fora,/E falso, ele vem seguro,/E vencendo estrada e muro,/Chega onde em sono ela mora, E, inda tonto do que houvera,/À cabeça, em maresia,/Ergue a mão, e encontra hera,/E vê que ele mesmo era/A Princesa que dormia.
Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, em 01 de Fevereiro de 1913comentando sobre como escreveu este poema: "Estou actualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância". Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por com mais que muita pressa escritas. As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projectos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma... Destaco de coisas psíquicas de que tenho sido o lugar o seguinte fenômeno que julgo curioso. V. sabe, creio, que de várias fobias que tive guardo unicamente a assaz infantil mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas. O outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa e por tarde não havia carros. Afinal não houve trovoada, mas esteve iminente e começou a chover - aqueles pingos graves, quentes e espaçados - ia eu ainda a meio caminho entre a Baixa e minha casa. Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar, com a tortura mental que V. calcula, perturbadíssimo, confrangido eu todo. E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto* - acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa -, a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo. E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. O fenômeno curioso do desdobramento é a coisa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade... " Dorme enquanto eu velo...Deixa-me sonhar...Nada em mim é risonho.Quero-te para sonho,Não para te amar. A tua carne calmaÉ fria em meu querer.Os meus desejos são cansaços.Nem quero ter nos braçosMeu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme,Vaga em teu sorrir...Sonho-te tão atentoQue o sonho é encantamentoE eu sonho sem sentir. Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 15, 2007

O Poder do Afeto A falta de tato para resolver conflitos e tratar de assuntos com pessoas que têm idéias opostas, tem sido responsável por muitos desentendimentos e dissabores nos relacionamentos. Por vezes, um problema que poderia ser facilmente resolvido, cria sérios rompimentos por causa da falta de jeito dos antagonistas. O afeto, usado com sabedoria é uma ferramenta poderosa, mas pouco usada pela maioria dos indivíduos. O mais comum tem sido a violência, a agressividade, a intolerância. Existem pessoas que não gostam de mostrar sua intimidade e se escondem sob um véu de sisudez, com ares de poucos amigos, na tentativa de evitar aproximações que deixem expostas suas fragilidades. São como os caramujos, os tatus, as tartarugas e outros semelhantes. Ao se sentirem ameaçados, escondem-se em suas carapaças naturais, e não deixam à mostra nenhuma de suas partes vulneráveis. A propósito, você já tentou alguma vez retirar, à força, de seu esconderijo, um desses animaizinhos? Seria uma tentativa fracassada, a menos que você não se importe em dilacerar o corpo do seu oponente. No caso da tartaruga, por exemplo, quanto mais você tentar, com violência, retirá-la do casco, mais ela irá se encolher para sobreviver. Mas, se você a colocar num lugar aconchegante, caloroso, que inspire confiança, ela sairá naturalmente. Assim também acontece com os seres humanos. Se em vez da força se usar o afeto, o aconchego, a ternura, a pessoa naturalmente de desarma e se deixa envolver. Às vezes a pessoa chega prevenida contra tudo e contra todos e se desarma ao simples contato com um sorriso franco ou um abraço afetuoso. Mas, se ao invés disso encontra pessoas também predispostas à agressão, ao conflito, as coisas ficam ainda piores. Como a convivência com outros indivíduos é uma realidade da qual não podemos fugir, precisamos aprender a lidar uns com os outros com sabedoria e sem desgastes. A força nunca foi e nunca será a melhor alternativa, além de causar sérios prejuízos à vida de relação. Portanto, criar relacionamentos harmônicos é uma arte que precisa ser cultivada e levada a sério. Mas para isso é preciso que pelo menos uma das partes o queira e o faça. E se uma das partes quiser, por mais que a outra esteja revestida de uma proteção semelhante à de um porco-espinho, ninguém sairá ferido e o relacionamento terá êxito. Basta lembrar dessa regra bem simples, mas eficaz: em vez da força, o afeto. E tudo se resolve sem desgastes. ............... De tudo o que fazemos na vida ficam apenas algumas lições: A certeza de que estamos todos em processo de aprendizagem... A convicção de que precisamos uns dos outros... A certeza de que não podemos deter o passo... A confiança no poder de renovação do ser humano. Portanto, devemos aproveitar as adversidades para cultivar virtudes. Fazer dos tropeços um passo de dança. Do medo um desafio. Dos opositores, amigos. E retirar, de todas as circunstâncias, lições para ser feliz

terça-feira, agosto 14, 2007

Marcial Salaverry Existem certos momentos,feito apenas para lamentos...é quando tudo falha,e nossa vida se atrapalha...Não sabemos o que fazer,dá vontade de sair e correr...Correr para a direção que nos indica o coração...Parece que uma escuridão vai nos alcançando,dando aquela sensação de algo nos abandonando...Mas sempre uma luz ,no fim do caminho...Algo que forte reluz,mostra que não se fica sozinho...Que temos aquele carinho,e a luz de novo se acende...E o perfume do amor reacende...Sempre após uma noite de tristeza,surgirá o sol em sua beleza...E a luz do amor,vencerá a névoa da dor...Assim é nossa vida...E como vale a pena ser vivida...

segunda-feira, agosto 13, 2007

RECEBI ESTE EMAIL E ME IDENTIFIQUEI . Identifique as coisas, pessoas, hábitos ou situações que não lhe servem mais e gentilmente se despeça de tudo isso. Esta é a hora de separar o joio do trigo, de encarar a necessidade de abrir mão de todas as coisas as quais você se apega, mas que não fazem mais sentido. Pode ser um processo doloroso, mas você entenderá como se trata de algo necessário. Confie! Deixe o tempo passar, ele cura todas as feridas. O que não vale é ficar se lamentando aos quatro ventos, pois isso lhe tornará alguém pouco atrativo, com quem as pessoas não desejam estar. Lembre-se que a pérola, como dizem os poetas, nasce do sofrimento da ostra. Neste momento, talvez seja bastante útil observar o sofrimento dos outros, a fim de que você perceba que há outras pessoas com dores muito mais sérias do que as suas. Quando cuidamos da dor do outro, o nosso próprio sofrimento parece se aquietar. Vá além de sua própria dor. Supere-a!

quinta-feira, agosto 09, 2007

CONTOS E POESIAS Meu Reino Encantado. Marlene B. Cerviglieri Memórias Jamais esquecerei o meu espaço encantado! Todos nós devemos lembrar de um lugar onde magias acontecem.O meu espaço era no fundo de meu imenso quintal no alto de uma enorme goiabeira. Sempre que podia me refugiava lá no alto.Levava comigo o meu Louro, que era o papagaio mais engraçado que já vi em minha vida.Se não o levasse, gritava por mim o tempo todo deixando meus familiares doidos. Desta arvore lá no topo eu via toda minha casa e quintal.E que belo quintal, tínhamos de tudo desde arvores de pêra de duas qualidades e parreiras de uvas, brancas rosadas e pretas. A horta era cuidada pelos meus avós e no meio de legumes e folhas havia também muitas flores.Era lindo de se ver, tenho na memória até hoje. Bem mas na goiabeira eu fazia mil estripulias. Era o meu palco, acrobacias de ponta cabeça cantava tudo que sabia e pensava mil coisas... Lá embaixo eu via as galinhas ciscando e comendo as goiabas maduras que caiam.Havia muitos ovos para recolher no fim da tarde dos ninhos todos ajeitados ali mesmo. Meus pais comercializavam aves e ovos, e sempre havia um freguês por ali. Certo dia chegou num engradadinho um porquinho marrom muito pequenino. Fiquei curioso e desci para ver de perto.O coitadinho era muito magrinho eu disse para minha mãe. Ela me respondeu: - Não se incomode ela vai engordar. Soube então que era uma leitoa. Voltei ao meu refugio para poder brincar um pouco mais lá em cima, era uma sensação de plena liberdade apesar de meus avós não gostarem muito.Achavam que eu iria cair...e poderia mesmo. No meu quintal eu tinha vários esconderijos.É, guardava meu pião e minhas fubecas em cantinhos que ninguém iria achar. Por que? Bem, era menina e menina não brincava com piões e fubecas e figurinhas! Não havia quem ganhasse de mim no bafo de figurinhas ou nas fubecas. É claro que tinha minhas bonecas e panelinhas também, mas sempre gostava de desafiar os meninos empoados da minha rua. Certa vez dois deles me jogaram na piscina do clube.Quase morri afogada do susto que levei. Esperei me recuperar e então um por vez dei uma surra neles que até hoje se lembram... Eu era muito danada. Não sei explicar o que havia, mas no alto da arvore me sentia mágica.parecia que podia tudo. Via o céu mais de pertinho, e tudo lá embaixo me esperando. O tempo foi passando e fui me afeiçoando a leitoa que crescia comigo. Aonde eu ia ela estava atrás.Quando chegava da escola era uma festa para ela e meu louro. Sem que eu percebesse ela sumiu. Minha mãe não me deu muita explicação, chorei um pouco e acreditei no sumiço dela. O tempo foi passando, cresci e outras mágicas tive que aprender, agora para sobreviver. Estudar, ajudar ser educada aprender piano e não subir mais em árvores, pois mocinha não faz isso! Eu hein, continuei mesmo sem o meu lourinho apenas com minhas fantasias e lembranças que ninguém tirará de mim. Hoje, a árvore ainda existe atrás de uma grande loja firme lá no mesmo lugar. Passo de carro, pois se tornou uma grande avenida, e revejo toda minha infância na minha querida General Glicério que foi o grande palco de minha infância. Tenho na memória a lembrança de todo o quintal, da rua do caminho que fazia para ir a escola. Uma por uma revejo as casas de meus antigos amigos e amigas. Meu reino encantado que divido com vocês. E o seu já está se formando? Cuide bem para ter o prazer de poder revê-lo depois. Mesmo sem um grande quintal como foi o meu, dá para termos nossos momentos e nossas magias e nossos amigos. Um grande abraço.
O grande dom da minha mãe - de Marie Ragghiandi “O otimismo é uma disposição alegre que permite que um bule de chá assobie apesar de estar com água quente até o nariz.” (Anônimo) Eu tinha dez anos de idade quando minha mãe teve paralisia, causada por um tumor na espinha dorsal. Antes disso ela havia sido uma mulher vibrante e vigorosa, de tal maneira ativa que a maioria das pessoas achava impressionante. Mesmo quando era pequena, eu ficava admirada com suas realizações e por sua beleza. Porém, quando tinha trinta e um anos, sua vida mudou. Assim como a minha. Do dia para a noite, parecia, ela passou a ficar deitada de costas em uma cama de hospital. Um tumor benigno a havia incapacitado, mas eu era jovem demais para compreender a ironia da palavra "benigno", pois ela nunca mais seria a mesma. Ainda tenho imagens vívidas dela antes da paralisia. Ela sempre foi gregária e recebia muitas visitas. Com freqüência passava horas preparando canapés e enchendo a casa de flores, que colhia frescas no jardim cultivado ao lado da casa. Selecionava as músicas populares da época e rearrumava a mobília a fim de abrir espaço para que os amigos pudessem se entregar à dança. Na realidade, era minha mãe quem mais gostava de dançar. Hipnotizada, eu a observava se vestir para as festividades noturnas. Mesmo hoje em dia ainda me lembro de nosso vestido favorito, com sua saia preta e corpete de renda azul-marinho, o contraste perfeito para seu cabelo louro. Fiquei tão emocionada quanto ela no dia em que trouxe para casa sapatos de salto alto de renda preta e, naquela noite, minha mãe certamente era a mulher mais bonita do mundo. Eu acreditava que ela podia fazer qualquer coisa, fosse jogar tênis (ganhara campeonatos na universidade), costurar (fazia todas as nossas roupas), tirar fotografias (ganhou um concurso nacional), escrever (era colunista de um jornal) ou cozinhar (especialmente pratos espanhóis para meu pai). Agora, apesar de não poder fazer nenhuma dessas coisas, ela encarava sua doença com o mesmo entusiasmo que tinha em relação a tudo o mais. Palavras como "deficiente" e "fisioterapia" tornaram-se parte de um estranho mundo novo no qual entramos juntas, e as bolas de borracha para crianças que ela se esforçava para apertar adquiriram um simbolismo que jamais haviam possuído. Gradualmente, passei a ajudar nos cuidados com a mãe que sempre cuidara de mim. Aprendi a cuidar do meu próprio cabelo - e do dela. Eventualmente, tornou-se rotina levá-la na cadeira de rodas até a cozinha, onde ela me ensinava a arte de descascar cenouras e batatas e como esfregar alho e sal e pedaços de manteiga em uma boa carne assada. Quando, pela primeira vez, ouvi falarem em uma bengala, opus-me: - Não quero que a minha linda mãe use uma bengala. Mas a única coisa que ela disse foi: - Não é melhor você me ver andando com uma bengala do que não me ver andando de maneira alguma? Cada conquista era um marco para nós duas: a máquina de escrever elétrica, o carro com câmbio e freio automáticos, sua volta à universidade, onde se diplomou em Educação Especial. Ela aprendeu tudo o que podia sobre as pessoas com deficiências e acabou fundando um grupo ativista de apoio chamado Os Incapacitados. Certo dia, sem ter falado muito de antemão, ela me levou e a meus irmãos a uma reunião dos Incapacitados. Eu nunca vira tantas pessoas com tantas deficiências. Voltei para casa, silenciosamente introspectiva, pensando em como nós realmente tínhamos sorte. Ela nos levou muitas vezes depois disso e, eventualmente, a visão de um homem ou uma mulher sem pernas ou braços não nos chocava mais. Minha mãe também nos apresentou a vítimas de paralisia cerebral, enfatizando que a maioria era tão inteligente quanto nós, talvez mais. E nos ensinou a nos comunicarmos com os retardados mentais, mostrando como eles eram freqüentemente mais afetuosos, comparados às pessoas normais. Durante tudo isso, meu pai continuou a amá-la e apoiá-la. Quando eu estava com onze anos, minha mãe me contou que ela e papai iriam ter um bebê. Muito depois, eu soube que seus médicos tinham insistido para que ela fizesse um aborto (terapêutico) - uma opção à qual ela resistiu veementemente. Logo, éramos mães juntas, já que virei mãe adotiva de minha irmã, Mary Therese. Em pouquíssimo tempo aprendi a trocar fraldas, banhá-la e alimentá-la. Ainda que mamãe tenha mantido a disciplina maternal, para mim foi um passo gigantesco além da brincadeira com bonecas. Um momento se destaca mesmo hoje em dia: o dia em que Mary Therese, na época com dois anos, caiu e esfolou o joelho, abriu-se em prantos e passou correndo pelos braços estendidos de minha mãe para os meus. Tarde demais, eu vislumbrei a faísca de dor no rosto de mamãe, mas tudo o que ela disse foi: - É natural que ela corra para você, pois você toma conta dela tão bem... Como minha mãe aceitava sua condição com tanto otimismo, raramente me senti triste ou ressentida. Mas nunca irei esquecer o dia em que minha complacência foi destruída. Muito tempo depois da imagem de minha mãe em salto agulha ter se dissipado da minha consciência, houve uma festa em nossa casa. A essa altura eu era adolescente, e vi minha sorridente mãe sentada na lateral, olhando seus amigos dançarem, e fui atingida pela cruel ironia de suas limitações físicas. Subitamente, fui transportada de volta à época de minha primeira infância e a visão de minha mãe dançando radiante estava novamente diante de mim. Imaginei se mamãe se lembraria também. Espontaneamente, andei em sua direção e então vi que, apesar de estar sorrindo, seus olhos estavam marejados de lágrimas. Corri para fora do aposento e para o meu quarto, enterrei meu rosto no travesseiro e chorei copiosamente - todas as lágrimas que ela jamais chorara. Pela primeira vez, eu me enraiveci contra Deus e contra a vida e suas injustiças para com a minha mãe. A lembrança do sorriso brilhante de minha mãe permaneceu comigo. Daquele momento em diante, enxerguei sua habilidade de superar a perda de tantas batalhas anteriores e seu ímpeto em olhar para a frente - coisas que eu tomava por certas - como um grande mistério e uma poderosa inspiração. Quando eu estava crescida e comecei a trabalhar com o sistema penal, mamãe se interessou em trabalhar com os prisioneiros. Ela telefonou para a penitenciária e pediu para dar aulas de Redação Criativa para os detentos. Lembro-me de como eles se amontoavam em volta dela sempre que ela chegava e pareciam se agarrar a cada palavra sua, como eu fizera na infância. Mesmo quando não podia mais se deslocar até a prisão, ela freqüentemente se correspondia com vários detentos. Um dia pediu-me para enviar uma carta para um prisioneiro, ''Waymon”. Perguntei se poderia lê-la antes e ela concordou, sem perceber, eu acho, o quanto aquilo seria revelador para mim. Dizia: "Querido Waymon, Quero que saiba que tenho pensado em você com freqüência desde que recebi sua carta. Você mencionou como é difícil estar preso atrás das grades e meu coração se une ao seu. Mas quando você disse que eu não imagino o que é estar na prisão, senti-me compelida a dizer-lhe que está errado. Existem diferentes tipos de liberdade, Waymon, diferentes tipos de prisões. Às vezes, nossas prisões são auto-impostas. Quando, com a idade de trinta e um anos, levantei-me um dia para descobrir que estava completamente paralisada, senti-me em uma armadilha - dominada pela sensação de estar presa dentro de um corpo que não mais me permitiria correr através de uma campina, dançar ou carregar minha filha nos braços. Fiquei deitada ali durante muito tempo, lutando para chegar a um acordo com minha enfermidade, tentando não sucumbir em autopiedade. Perguntei-me se, na verdade, valeria a pena viver nessas condições, se não seria melhor morrer. Pensei a respeito desse conceito de prisão, pois me parecia que havia perdido tudo o que importava na vida. Eu estava próxima do desespero. Mas, então, um dia me ocorreu que, na realidade ainda havia opções abertas para mim e que eu tinha a liberdade de escolher entre elas. Será que eu iria sorrir quando visse meus filhos de novo, ou iria chorar? Iria zangar-me em Deus, ou iria pedir que Ele fortalecesse minha fé? Em outras palavras, o que eu iria fazer com o livre-arbítrio que Ele havia me dado e que ainda era meu? Tomei a decisão de lutar, enquanto estivesse viva, para viver o mais plenamente possível, para procurar tornar minhas experiências aparentemente negativas em experiências positivas, procurar formas de transcender minhas limitações físicas expandindo minhas fronteiras mentais e espirituais. Eu podia escolher entre ser um exemplo positivo para meus filhos ou podia murchar e morrer emocional assim como fisicamente. Existem muitos tipos de liberdade, Waymon. Quando perdemos um tipo de liberdade, temos que simplesmente procurar por outro. Você e eu somos abençoados com a liberdade de escolher entre bons livros, que iremos ler, quais deixaremos de lado. Você pode olhar para as suas grades ou pode olhar através delas. Você pode ser um exemplo para prisioneiros mais jovens ou pode se misturar com os encrenqueiros. Você pode amar a Deus e buscar conhecê-lo ou pode virar as costas para Ele. Até certo ponto, Waymon, estamos nisso juntos. " Quando finalmente terminei de ler a carta, minha visão estava borrada pelas lágrimas. Ainda assim, pela primeira vez, eu enxerguei minha mãe com clareza. E eu a entendi. (Marie Ragghiandi)